No post anterior contei sobre a dolorosa descoberta que meu bebê não tinha evoluído e que eu teria que fazer um processo de curetagem.. Fiquei tão triste que não queria sair de casa... Só chorava e chorava pela perda do meu tão esperado e desejado bebê. Eu ficava pensando o quão injusta era a vida, já que tantas mulheres faziam abortos, ou então deixava jogado, algumas ficam na rua com várias crianças pedindo esmola... Por quê comigo tinha que acontecer essa coisa horrível?? POR QUÊ??? Mesmo hoje depois que já tive Yasmin me pergunto isso... Me pergunto como seria, se pareceria.com meu marido, se teria o sorriso lindo como o da Yasmin... Mas bom, voltando ao tema... Como eu estava muito triste em casa minha mãe me chamou para ir ao parque Ibirapuera, onde seria comemorado o aniversário do filhinho da minha prima.
Estava relutante mas decidi ir.. Era um domingo e a curetagem estava marcada para a próxima semana na maternidade Santa Joana. Estava sentindo um pouco de cólica, mas pensei que era normal dada a situação. Fui dirigindo e ao chegar no parque e estacionar o carro me levantei para sair, foi quando senti o sangramento... Era um fluxo intenso e me desesperei... Comecei a chorar mais ainda pela situação, e toda a dor da perda veio forte novamente.
Fomos correndo para a emergência da maternidade Santa Joana e me internaram. Viram que eu já tinha o agendamento da curetagem para a próxima semana mas devido a situação decidiram fazer na manhã do dia seguinte.
A família toda estava comovida, meu marido não saiu do meu lado para nada e levava a tristeza estampada em seu rosto, mas lutando para ser forte para me dar o apoio necessário.
Eu, na verdade, me sentia terrível internada ali. Todos eram muito amáveis, mas se supõe que uma pessoa vai para a maternidade para TER um bebê, e não para TIRÁ-LO.
Ficava ali imaginando a felicidade das famílias nos quartos ao lado, pensando na bênção que tiveram por terem seus pequenos tesouros nos braços... E a verdade é que isso só piorava minha situação... Novamente dominava a questão do "Por que eu!!!!!!".
Amanheceu e chegou o momento da cirurgia... Me levaram para a sala onde seria sedada e novamente o ataque de choro... As enfermeiras super amáveis me diziam para ficar tranquila, que isso era normal nos primeiros meses de gravidez, que Deus sabia das coisas e que se tinha permitido que isso acontecesse é porque talvez se meu bebê viesse ao mundo poderia sofrer com alguma má-formação, ou ser totalmente dependente das pessoas.
A verdade é que essas considerações somente são válidas quando vistas por alguém que não está vivenciando essa dor, e a pessoa que passa por esse momento, como eu passei, só vai pensar isso bem mais pra frente, quando a ferida da perda estiver começando a querer cicatrizar.
Nessa sala eu apaguei... Não vi nem senti nada do procedimento da curetagem. Quando acordei da anestesia foi como ae nada tivesse ocorrido... Isso visto do ponto de vista cirúrgico, porque do psicológico estava ocorrendo um dilúvio de emoções.
Ao chegar no quarto meu marido estava me esperando... Quando me abraçou senti que não podia haver amor maior no mundo. Não teve como segurar as lágrimas... E ali me dei conta do quanto havia sido egoísta com meu marido, preocupada somente com minha dor, quando na verdade os dois perderam um bebê naquele dia. O apoio do Felipe foi crucial e fundamental para sobreviver à essa dor e para conseguir seguir em frente, bem como todo amor e dedicação que recebi dos meus pais e irmãos.. Afinal ali eles também perderam a ilusão do primeiro neto, primeiro sobrinho, e estavam lutando para serem fortes e me dar todo apoio que eu precisava e que precisaria ainda.
O pessoal da maternidade Santa Joana foi maravilhoso em todos os momentos. A verdade é que me senti amada, apoiada e cuidada por cada pessoa que trabalha ali e teve contato comigo. Ao sair da maternidade uma frase dita pela gerente de relacionamento me marcou muito, e contribuiu efetivamente pela escolha da maternidade que eu viria a ter futuramente minha princesa Yasmin "Daqui a pouco você estará aqui novamente e vai chorar também, mas de felicidade ao ouvir pela primeira vez o choro do seu bebê e pela primeira vez que o terá em seus braços"... E aproximadamente 1 ano e meio depois a profecia se cumpriu!!

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