quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A dor de um aborto espontâneo


Final de dezembro de 2012, no mês em que meu marido e eu decidimos nos tornar pais, recebemos o tão esperado "positivo". A Alegria foi geral, afinal de contas seria a primeira criança da família aqui no Brasil (meu marido é chileno). Já conversávamos sobre o nome que iríamos colocar, nos perguntávamos sobre qual seria o sexo do nosso pequeno amor, estávamos vivendo um lindo momento de nosso relacionamento.

Ao fazer o primeiro ultrassom vimos nosso grãozinho de amor e a emoção foi imensa. O obstetra marcou a segunda ultrassonografia, onde poderíamos escutar o coraçãozinho do nosso bebê e a ansiedade tomou conta de nós nestes dias de espera.

A ultrassonografia estava marcada para começo de fevereiro, mês do meu aniversário, e meu melhor presente seria escutar as batidas do coração do pequeno amor que crescia dentro de mim. Acordamos cedo, pegamos o DVD para gravarmos este momento tão especial, e nos dirigimos para o laboratório.

Foi feito o exame e nada de escutar o coraçãozinho.. Terminou e nós com a cara de ponto de interrogação. Perguntei ao médico e ele, meio sem jeito, me informou que talvez minhas contas estivessem erradas e devido a isso não havia batimento cardíaco ainda. Me pediu que esperasse duas semanas e repetisse o exame.

No final dessa semana meu marido e eu estávamos de viagem de férias marcada para búzios. Acordei e fui tomar banho para irmos ao aeroporto e ao tirar a roupa me dei conta do sangramento. Liguei para meu  obstetra, que me recomendou cancelar a viagem ir à emergência, pegamos o laudo da ultima ultrassonografia e corremos para a emergência da Maternidade Santa Joana.

Expliquei a situação para a médica, e ela nos levou para a sala de ultrassonografia, neste momento a única coisa que eu pensava era "por favor Deus, que esteja tudo bem com nosso bebê!!! Por favor Senhor". Começou o exame e constataram que não havia nenhuma evolução no nosso bebezinho, ele simplesmente tinha parado de crescer... Estava MORTO dentro de mim!!!

Nunca em minha vida tive um sofrimento maior... Chorei como nunca, tentando colocar para fora aquela dor que me corroía a alma e me matava por dentro.

Ao voltar para a sala da médica ela me explicou que eu tinha a opção de deixar que meu corpo expulsasse meu bebê ou então fazer o procedimento de curetagem, mas que ia ligar para meu obstetra para que me passasse uma orientação.

Pelo telefone achei meu médico super frio, me orientou a fazer a curetagem, pois caso eu deixasse sair naturalmente teria o risco de infecção caso não saísse tudo. Apenas com essa informação não me senti à vontade para tomar uma decisão e voltamos para casa, para juntos (meu marido e eu) tomarmos uma decisão. Neste meio tempo mandei um email para meu obstetra, perguntando se poderíamos marcar uma consulta porque eu estava com dúvidas sobre o procedimento, se era feito no hospital ou se ele mesmo fazia. Ele respondeu falando que não era necessário a consulta, que eu faria o procedimento no hospital e para marcar outra consulta com ele em 1 mês para ver se estava tudo bem.

Dada toda essa frieza que encontrei no obstetra eu optei por não continuar sendo paciente dele, mas marquei o procedimento de curetagem na maternidade Santa Joana para a próxima semana.

A dor era tremenda, mas graças a Deus eu tive meu marido ao lado em todos os momentos, além do apoio dos meus pais e irmãos. Sem eles com certeza eu não teria suportado passar por tudo isso.

O que se sente ao passar por um aborto espontâneo?
Como foi o processo de curetagem?
Como foi o processo de recuperação?
É possível superar a perda em um caso de aborto?
Ao ter um outro bebê você esquece isso que viveu?
O sentimento ao ter um novo bebê é que substituiu o que perdi anteriormente?

Todas essas questões responderei nos meus próximos posts, baseado em minha vivência.

Não deixe de acompanhar!!!

Também passou por isso? Conte-nos sua experiência.


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