quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Explosão de sentimentos no processo de curetagem



No post anterior contei sobre a dolorosa descoberta que meu bebê não tinha evoluído e que eu teria que fazer um processo de curetagem.. Fiquei tão triste que não queria sair de casa... Só chorava e chorava pela perda do meu tão esperado e desejado bebê. Eu ficava pensando o quão injusta era a vida, já que tantas mulheres faziam abortos, ou então deixava jogado, algumas ficam na rua com várias crianças pedindo esmola... Por quê comigo tinha que acontecer essa coisa horrível?? POR QUÊ??? Mesmo hoje depois que já tive Yasmin me pergunto isso... Me pergunto como seria, se pareceria.com meu marido, se teria o sorriso lindo como o da Yasmin... Mas bom, voltando ao tema... Como eu estava muito triste em casa minha mãe me chamou para ir ao parque Ibirapuera, onde seria comemorado o aniversário do filhinho da minha prima.

Estava relutante mas decidi ir.. Era um domingo e a curetagem estava marcada para a próxima semana na maternidade Santa Joana. Estava sentindo um pouco de cólica, mas pensei que era normal dada a situação. Fui dirigindo e ao chegar no parque e estacionar o carro me levantei para sair, foi quando senti o sangramento... Era um fluxo intenso e me desesperei... Comecei a chorar mais ainda pela situação, e toda a dor da perda veio forte novamente.

Fomos correndo para a emergência da maternidade Santa Joana e me internaram. Viram que eu já tinha o agendamento da curetagem para a próxima semana mas devido a situação decidiram fazer na manhã do dia seguinte.

A família toda estava comovida, meu marido não saiu do meu lado para nada e levava a tristeza estampada em seu rosto, mas lutando para ser forte para me dar o apoio necessário.

Eu, na verdade, me sentia terrível internada ali. Todos eram muito amáveis, mas se supõe que uma pessoa vai para a maternidade para TER um bebê, e não para TIRÁ-LO.

Ficava ali imaginando a felicidade das famílias nos quartos ao lado, pensando na bênção que tiveram por terem seus pequenos tesouros nos braços... E a verdade é que isso só piorava minha situação... Novamente dominava a questão do "Por que eu!!!!!!".

Amanheceu e chegou o momento da cirurgia... Me levaram para a sala onde seria sedada e novamente o ataque de choro... As enfermeiras super amáveis me diziam para ficar tranquila, que isso era normal nos primeiros meses de gravidez, que Deus sabia das coisas e que se tinha permitido que isso acontecesse é porque  talvez se meu bebê viesse ao mundo poderia sofrer com alguma má-formação, ou ser totalmente dependente das pessoas.

A verdade é que essas considerações somente são válidas quando vistas por alguém que não está vivenciando essa dor, e a pessoa que passa por esse momento, como eu passei, só vai pensar isso bem mais pra frente, quando a ferida da perda estiver começando a querer cicatrizar.

Nessa sala eu apaguei... Não vi nem senti nada do procedimento da curetagem. Quando acordei da anestesia foi como ae nada tivesse ocorrido... Isso visto do ponto de vista cirúrgico, porque do psicológico estava ocorrendo um dilúvio de emoções.

Ao chegar no quarto meu marido estava me esperando... Quando me abraçou senti que não podia haver amor maior no mundo. Não teve como segurar as lágrimas... E ali me dei conta do quanto havia sido egoísta com meu marido, preocupada somente com minha dor, quando na verdade os dois perderam um bebê naquele dia. O apoio do Felipe foi crucial e fundamental para sobreviver à essa dor e para conseguir seguir em frente, bem como todo amor e dedicação que recebi dos meus pais e irmãos.. Afinal ali eles também perderam a ilusão do primeiro neto, primeiro sobrinho, e estavam lutando para serem fortes e me dar todo apoio que eu precisava e que precisaria ainda.

O pessoal da maternidade Santa Joana foi maravilhoso em todos os momentos. A verdade é que me senti amada, apoiada e cuidada por cada pessoa que trabalha ali e teve contato comigo. Ao sair da maternidade uma frase dita pela gerente de relacionamento me marcou muito, e contribuiu efetivamente pela escolha da maternidade que eu viria a ter futuramente minha princesa Yasmin "Daqui a pouco você estará aqui novamente e vai chorar também, mas de felicidade ao ouvir pela primeira vez o choro do seu bebê e pela primeira vez que o terá em seus braços"... E aproximadamente 1 ano e meio depois a profecia se cumpriu!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A dor de um aborto espontâneo


Final de dezembro de 2012, no mês em que meu marido e eu decidimos nos tornar pais, recebemos o tão esperado "positivo". A Alegria foi geral, afinal de contas seria a primeira criança da família aqui no Brasil (meu marido é chileno). Já conversávamos sobre o nome que iríamos colocar, nos perguntávamos sobre qual seria o sexo do nosso pequeno amor, estávamos vivendo um lindo momento de nosso relacionamento.

Ao fazer o primeiro ultrassom vimos nosso grãozinho de amor e a emoção foi imensa. O obstetra marcou a segunda ultrassonografia, onde poderíamos escutar o coraçãozinho do nosso bebê e a ansiedade tomou conta de nós nestes dias de espera.

A ultrassonografia estava marcada para começo de fevereiro, mês do meu aniversário, e meu melhor presente seria escutar as batidas do coração do pequeno amor que crescia dentro de mim. Acordamos cedo, pegamos o DVD para gravarmos este momento tão especial, e nos dirigimos para o laboratório.

Foi feito o exame e nada de escutar o coraçãozinho.. Terminou e nós com a cara de ponto de interrogação. Perguntei ao médico e ele, meio sem jeito, me informou que talvez minhas contas estivessem erradas e devido a isso não havia batimento cardíaco ainda. Me pediu que esperasse duas semanas e repetisse o exame.

No final dessa semana meu marido e eu estávamos de viagem de férias marcada para búzios. Acordei e fui tomar banho para irmos ao aeroporto e ao tirar a roupa me dei conta do sangramento. Liguei para meu  obstetra, que me recomendou cancelar a viagem ir à emergência, pegamos o laudo da ultima ultrassonografia e corremos para a emergência da Maternidade Santa Joana.

Expliquei a situação para a médica, e ela nos levou para a sala de ultrassonografia, neste momento a única coisa que eu pensava era "por favor Deus, que esteja tudo bem com nosso bebê!!! Por favor Senhor". Começou o exame e constataram que não havia nenhuma evolução no nosso bebezinho, ele simplesmente tinha parado de crescer... Estava MORTO dentro de mim!!!

Nunca em minha vida tive um sofrimento maior... Chorei como nunca, tentando colocar para fora aquela dor que me corroía a alma e me matava por dentro.

Ao voltar para a sala da médica ela me explicou que eu tinha a opção de deixar que meu corpo expulsasse meu bebê ou então fazer o procedimento de curetagem, mas que ia ligar para meu obstetra para que me passasse uma orientação.

Pelo telefone achei meu médico super frio, me orientou a fazer a curetagem, pois caso eu deixasse sair naturalmente teria o risco de infecção caso não saísse tudo. Apenas com essa informação não me senti à vontade para tomar uma decisão e voltamos para casa, para juntos (meu marido e eu) tomarmos uma decisão. Neste meio tempo mandei um email para meu obstetra, perguntando se poderíamos marcar uma consulta porque eu estava com dúvidas sobre o procedimento, se era feito no hospital ou se ele mesmo fazia. Ele respondeu falando que não era necessário a consulta, que eu faria o procedimento no hospital e para marcar outra consulta com ele em 1 mês para ver se estava tudo bem.

Dada toda essa frieza que encontrei no obstetra eu optei por não continuar sendo paciente dele, mas marquei o procedimento de curetagem na maternidade Santa Joana para a próxima semana.

A dor era tremenda, mas graças a Deus eu tive meu marido ao lado em todos os momentos, além do apoio dos meus pais e irmãos. Sem eles com certeza eu não teria suportado passar por tudo isso.

O que se sente ao passar por um aborto espontâneo?
Como foi o processo de curetagem?
Como foi o processo de recuperação?
É possível superar a perda em um caso de aborto?
Ao ter um outro bebê você esquece isso que viveu?
O sentimento ao ter um novo bebê é que substituiu o que perdi anteriormente?

Todas essas questões responderei nos meus próximos posts, baseado em minha vivência.

Não deixe de acompanhar!!!

Também passou por isso? Conte-nos sua experiência.